O Baú da menina dos olhos de amêndoas.
Por Lívia Amorim
Em menina, desperta-me o desejo de costurar ao ver a vovó, sempre fazer isso. Sentar-me ao seu lado e vê-la repetir o mágico ritual de transformar tecido em roupas era fascinante. A mim, restavam os retalhos, um pouquinho de tecido aqui outro ali, um galão, as fitas, o viés e os paetês que cintilavam aos meus olhos de menina e os enchia de desejo. Adorava vê-la bordar os vestidos, pareciam pequenos painéis onde se desenhava. Sempre gostei de vê-la rebordar as estampas florais com paetês e aplicações, pareciam que as flores de pano ganhavam vida.
As memórias de infância permanecem intactas em minha mente...
O Baú da menina dos olhos de amêndoas conta à história da menina que passa os dias vendo a avó fazer a mágica de transformar tecidos em roupas, e recolhendo os retalhos que restam pelo chão, vai criando sozinha e guardando tudo que faz em seu pequeno baú.
O clima dos Contos de Fadas funde-se as referências visuais do personagem, trazendo um cenário inusitado que mistura o mundo dos livros com o universo fantasioso da menina, formando um “patchwork” com emoções de quem quer voltar no tempo.
A paleta de cores inclui tons pastéis singelos, amarelinho, azulzinho... Contraditos no amarelo ouro, no vermelho tomate, nas estampas florais gigantes e coloridas, no patchwork de galões, e no vichy que explicita o caráter lúdico da coleção.
Nas formas destaque para a calça curta (bloomer) e a calcinha com babados que aparecem em jeans extra lavados, a silhueta faz referência às roupas infantis, mas tem um “quê” de sensualidade quando sugere o Baby Doll. Fotos antigas emolduradas recebem aplicações de pétalas para realçá-las, as imagens misturadas, típicas de quem remonta o passado trazem a tona uma meninice que só existe na memória de quem criou a história.
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